Desde 3 de maio o enfoque das notícias mudaram. Na sua primeira semana, me corrijam os mais atentos se eu estiver errado, a invasão da USP era apenas uma noticia regional secundária, um balburdio qualquer que acabaria e cairia no esquecimento, para que dar importância?
Como é mais do que comum, de acordo com o passar do tempo, a relevância da situação exigiu uma apuração maior. Talvez seja melhor considerar a palavra espetáculo ao invés de apuração. O espetáculo precisava de um enredo.
Irem contra o governador, jamais, não daria o retorno suficiente para o show. Pensaram: “vamos dar trela, e na segunda semana, se nada acabar, jogaremos como mais uma manifestação”. Segunda semana, o enredo foi seguido.
Após, para não ficar tão maçante as cenas, levaremos ao “Zé povinho” a idéia de movimento de uma minoria sem motivos concretos, a não ser chamar atenção, coisa típica de adolescente revoltado vendo muito filme de baixo orçamento... ,eles pensaram. Agiram, e pensei estar já no fim do espetáculo mirabolante! Hoje vi que o roteiro fez sucesso, mas como a maioria das séries de sucesso quando extensa demais perde a graça e a originalidade. Assim espero que aconteça.
A nova temporada dos “Remelentos e Mafaldinhas da USP”, como os autores (créditos no final) definiram o titulo, se trata da parte mais romântica da série. Algo como Batman Begins ou mesmo o último do Super Homem, mais puxados para o sentimento das personagens principais. Os filmes, principalmente no primeiro, tentaram mostrar os motivos psicológicos e sociais das histórias dos heróis.
Vamos aos fatos... Levante o corpo flácido da cama nesse domingo frio, vá até a banca mais próxima de sua residência e rasgue o dinheiro na frente dos olhos do jornaleiro. E não se esqueça de pedir em troca a Veja e o Estado de São Paulo. Economize tempo e não de importância a Folha. Compre as figurinhas do “alienadinho” também, para colar na testa caso sinta prazer na leitura dos contos.
Começaremos pela sinopse, claro!
Abra o Estado de São Paulo da Serra, caderno Aliás, J5., artigo de José de Souza Martins, na qual a foto do coronel abraçando um dos lideres da revolta da USP está embaixo. Além da ilustração, atente a algumas partes do texto.
“Os jovens de classe média que invadiram a reitoria da USP são os novos pobres: de esperança e de boas causas.”
“Aparentemente, preocupados em manter a postura de seletos cidadãos, escolhidos na peneira fina do vestibular, os jovens invasores trataram logo de demonstrar que são filhos-família. Não só bem comportados nas comezinhas obrigações da limpeza, mas também estabelecendo regras que os fazem legítimos descendentes do ordeiro e criativo representante da burguesia americana, Benjamin Franklin. (...)
Um aluno de História levou a própria mãe para inspecionar o recinto em que o filho faz sua estréia como revolucionário (...). Verdadeiros escoteiros de esquerda.”
* Mas e as repetidas fotos do portão da reitoria e de artigos dizendo que a balburdia e a depredação “aniquilaram” a reitoria?
“Embora os estudantes bem comportados se apresentem como apartidários, estão vinculados a facções em conflito com o PT, que romperam com a UNE, que se opõem a atual direção do Diretório Central de Estudantes, a qual contestam e consideram traidora.”
* E o Serra, como fica?
“Trata-se de uma geração órfã, que já não tem grandes batalhas a travar, que padece o problema da falta de um grupo extrafamiliar de referência minimamente estável. Sobra-lhe a universidade, instituição passageira em suas vidas.”
* Não seja por isso! Inscrições abertas para o PCC para você que não tem um grupo social nem batalhas a travar!
“Os operários têm a sua classe como fator de identidade e luta; os camponeses têm suas organizações sindicais e a terra como referencia utópica; a classe média dos docentes tem ainda, felizmente, as grandes causas do ensino e da cultura. Os jovens de classe média não têm nada. Acabam defendendo as causas alheias.”
* Gays lutam por gays, negros por negros, obesos por obesos. Os demais, cada macaco no seu galho! Defender causas alheias seria intromissão. Cada um por si?! Preconceito ou apenas parece?
“No fundo, a rebelião da Cidade Universitária é uma rebelião romântica, cheia de beleza juvenil, infelizmente vazia de conteúdo histórico. “
(continua abaixo.)
2 comentários:
Amigo Zé Renato,
Obrigado por visitar o meu Blog. Fiquei muito satisfeito com a leitura de seu post. A propósito: venho acompanhando esse assunto e já por algum tempo isso vem me incomodando.
Sua análise é muito correta. A posição dos alunos da USP, no mínimo, prolongou e tem forçado o prolongamento do debate. Coisa que o nossa governador não queria. A mídia parcial tem sido contrastada com outras posições e já não é possível passar para a opinião pública a idéia de um movimento dos sem causa.
Um abraço.
Vou Linkar o seu Blog também
Oi, tudo bem?
Essa conclusão de que "os filhos da classe média/alta é que frequentam a USP, etc" que surgiu na mídia, eu não discordaria, mas só até certo ponto, pois servirá, justamente para mostrar "que algo está errado" ao povo que não conseguiu acesso a ela e assim, garantir sua cumplicidade. Ponto para os alunos, mas não se deve perder de vista a questão do acesso, mas isso é outro assunto.
Parabéns pelo blog.
Humberto
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